DR. RELACIONAMENTO


Foi notícia em todo o mundo. Tiger Woods, uma lenda do golfe, veio a público se desculpar pelos casos extraconjugais que abalaram seu casamento. Fez isso e, de acordo com a revista People, especializada em celebridades, voltou para uma clínica de reabilitação no Arizona (EUA), para tratar seu vício em sexo. Mas até que ponto casos de infidelidade podem ser fruto de uma compulsão sexual?
“As pessoas precisam tomar cuidado na hora de tornar patológico todo tipo de comportamento. Na maioria das vezes, os casos de infidelidade são relativos a problemas pessoais ou do relacionamento no casamento, não necessariamente a uma patologia”, avisa Liliana Seger, psicóloga especializada em sexualidade e pesquisadora ligada ao Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso (AMITI) do Instituto de Psquiatria (IPq) da Faculdade de Medicina da USP .
“É preciso ter muita atenção na hora do diagnóstico desse tipo de transtorno. Muitas vezes o comportamento pode não ser de um viciado em sexo, mas de alguém que introjetou essa ideia, que ‘resolveu’ que é viciado em sexo”, salienta Maria Olímpia Jabur Saikali, psicóloga clínica cuja especialidade é a terapia familiar e de casal. Maria Olímpia diz que tanto os homens quanto as mulheres que têm relacionamentos fora do casamento têm de primeiro relativizar o que está acontecendo dentro da relação do casal. “Dizer que é vício, que ‘é mais forte do que eu’, é a saída fácil para fugir dos problemas”, enfatiza.
“As pessoas podem simplesmente não estar bem, muitas vezes insistindo em uma relação falida. Ter o desejo fora da relação nem sempre é sinal de patologia, propriamente dita, mas de algo que não está de acordo com seus sentimentos. Mas isso também não deve ser usado como justificativa para romper os acordos conjugais – como a fidelidade – de forma unilateral”, diz Maria Olímpia.
Comportamento compulsivo
A compulsão sexual, em geral, envolve uma dificuldade no controle e da regulação afetiva, deixando o sujeito vulnerável a afetos dolorosos – que causam sofrimento físico e psíquico – e à instabilidade emocional. A pessoa precisa ter prazer imediato e assim não consegue avaliar conscientemente as consequências negativas dos atos.
O indivíduo, com esse tipo de características compulsivas, sente-se muitas vezes frágil e acaba desesperadamente buscando algo externo, seja uma droga, um objeto ou, no caso do viciado em sexo, uma sensação corporal, que possa lhe dar a impressão de bem-estar.
Identificando a compulsão
De acordo com a psicóloga Liliana, é possível definir a compulsão sexual por meio de alguns critérios:
• Comportamentos sexuais exacerbados (repetitivos e muito frequentes): que causam sofrimento e prejuízos e, importante, manifesto nos últimos 12 meses;
• Ritual de busca: gasta muito tempo e energia em atividades para obter sexo, tem prejuízo nas atividades sociais, ocupacionais e recreativas, e continua o comportamento mesmo tendo consequências adversas;
• Duração longa e intensidade crescente do comportamento: precisa cada vez mais para obter o mesmo nível de satisfação;
• Crises de abstinência sexual: se quando a pessoa evita se envolver em práticas sexuais ela passa a ter sintomas físicos e/ou psíquicos que se relacionam com essa abstinência (algo similar, porém não idêntico, ao que acontece com dependentes químicos).
“Se o indivíduo apresentar pelo menos três desses aspectos, isso já se caracteriza como compulsão sexual”, explica a especialista. Mas ela lembra que é preciso avaliar outros pontos importantes. “Primeiro avaliar se há o envolvimento exacerbado em busca de sexo e práticas sexuais diversas. E se a atividade sexual é vista como fora de controle e prejudica a vida familiar, social e ocupacional.”
Fases
A compulsão sexual geralmente se caracteriza por algumas fases, mais ou menos distintas. Primeiro o indivíduo fica pensando em sexo, tem ideias sobre objetos sexualmente estimulantes. Depois, inicia uma rotina que leva a uma excitação frequente e, então, passa a não conseguir parar de pensar até conseguir satisfazer-se. “Essas pessoas não conseguem interromper o pensamento até ter a satisfação. E depois de ter essa satisfação, elas podem se sentir mal consigo mesmas, revisitando sentimentos de remorso”, pontua Liliana. Isso pode gerar um ciclo vicioso, em que os sentimentos ruins levam à procura de algo que lhes dê satisfação, reiniciando o processo.
Com o passar do tempo, a frequência dos episódios aumenta assim como a crescente perda da sensação de prazer. “Isso causa um aumento do sentimento de angústia”, explica Seger. “É possível que o indivíduo comece uma busca compulsiva por novos parceiros (múltiplos parceiros), masturbação compulsiva, assistir filmes (internet) constantemente ou frequentar salas para prática de sexo virtual, por exemplo”.
O pensamento fica presente o tempo todo, é quase uma prisão, onde a vida tem um objetivo único e todo o restante gira em torno de um tema, um único pensamento: sexo e prazer sexual.
Tratamento nem sempre exige internação
O tratamento varia dependendo do momento da procura e do grau de comprometimento do indivíduo. “Se estiver associado a comportamentos sexuais de risco, como sexo sem preservativo – que aumenta a possibilidade de contrair uma doença sexualmente transmissível, como a Aids – ou estiver associado ao consumo de drogas, o problema pode exigir internação”, diz a especialista.
Normalmente, o mais indicado é o tratamento multidisciplinar. Para definir uma medicação adequada (quando necessária), normalmente um psiquiatra é chamado para acompanhar o caso. “Alguns pacientes têm medo de perder a libido com os fármacos, mas é importante lembrar que a medicação é dada com cautela para causar alívio da compulsão, sem eliminar o desejo sexual”, observa Seger.
O outro lado do tratamento se dá pela terapia cognitivo-comportamental, para que os indivíduos aprendam a lidar com seus maiores temores. Liliana alerta que “em geral são medo da intimidade, medo da perda do controle e medo da solidão que, se não tratados, aumentam a probabilidade da instalação da compulsão”.
A especialista também observa que infelizmente alguns pacientes só procuram tratamento quando a família interfere, ou quando a situação já foi ao limite – há perda de emprego, final de um casamento ou de um relacionamento –, ou seja, quando a compulsão já está nitidamente fora de controle.
“A família muitas vezes também precisa de tratamento, pois acaba sendo codependente, isto é, acaba controlando o dependente, não permitindo – ou não admitindo – muitas vezes que as consequências estão evidentes e, com isso, impedem que ele também se perceba e assuma as consequências negativas do comportamento e, assim, acabe por procurar ajuda”, diz Liliana. A superproteção é uma forma de negação, completa a especialista. É preciso auxiliar a pessoa a procurar um especialista e não ficar tentando impedir que as consequências apareçam. “Esquivar-se do problema não ajuda, definitivamente”, finaliza.
por Enio Rodrigo/oqueeutenho.uol.com.br

Homens jovens – no final da adolescência e começo da idade adulta – que tentaram cometer suicídio por volta dos 18 anos parecem ser mais propensos à agressividade contra suas parceiras, de acordo com estudo publicado no periódico Psychological Medicine.


A pesquisa traz evidências colhidas entre mais de 150 indivíduos, que viviam em vizinhanças violentas e cujos históricos de saúde mental foram acompanhados dos 10 aos 32 anos de idade. De acordo com os autores Deborah Capaldi e David Kerr – da Universidade do Oregon, EUA – a associação entre tentativas de suicídio na juventude e propensão à violência chegou a 58% dos entrevistados, sendo que esses números entre aqueles indivíduos que nunca tiveram o histórico de suicídio ficam em torno dos 23%.
“O estudo começou quando esses indivíduos ainda eram jovens, antes que qualquer um pudesse prever que eles se tornariam violentos, diz Kerr. “Os resultados são diferentes de outros estudos que fizeram o caminho inverso, pesquisando homens ou mulheres violentos e tentando reconstruir seus antecedentes para chegar a conclusões.”
O estudo também não focou apenas nas informações coletadas nos indivíduos, mas também entrevistou as esposas ou namoradas, além de históricos policiais. O resultado indica que, mesmo controlando outros fatores, como presenciar a violência doméstica dentro de casa, transtornos depressivos e abuso de álcool e outras drogas, aqueles indivíduos com histórico de suicídio na juventude eram mais violentos, especialmente contra suas parceiras. “Essa ligação simplesmente não pode ser explicada por outros motivos”, diz Kerr.
“Normalmente os homens violentos são mais frios, controlados e calculam o nível de violência contra suas parceiras. Nesses indivíduos que observamos, as coisas não eram bem assim”, diz Capaldi. “Os homens nesse estudo são mais impulsivos e também se agridem fisicamente – impulsos de automutilação – além de se envolverem em violência fora do ambiente doméstico.”
Os pesquisadores indicam que os resultados da pesquisa vão à mesma direção de outros estudos que indicam que pessoas com tendência à violência doméstica também possuem um histórico de agressividade e comportamento impulsivo na juventude.
Quanto mais cedo a intervenção nesses indivíduos, por meio de programas de prevenção contra o suicídio, mais é possível protegê-los (e suas famílias) de problemas relacionados à violência doméstica, dizem os autores.
“O suicídio não é algo trivial. Independentemente da idade, esse sentimento é identificado”, diz Kerr. “Mas essa vulnerabilidade pode ter consequências em longo prazo para os indivíduos e para aqueles que convivem com eles.”
informações da Oregon State University

Todos sabem que fazer exercícios é bom para a saúde. Entre outros benefícios, o exercício físico diminui os riscos de doenças coronarianas e de acidentes vasculares cerebrais (o AVC ou o popular derrame), além de melhorar a resistência do corpo para o desenvolvimento de câncer, problemas com diabete e pressão alta.

Mas ter uma rotina de exercícios também é bom para a saúde mental. As atividades físicas são uma ótima opção para auxiliar no combate à depressão, por exemplo. Uma meta-análise – revisão de diversos estudos publicados anteriormente – feita por Penny McCullagh, da Universidade Estadual da Califórnia (CSU) aponta os diversos benefícios dessas atividades físicas.
• Os benefícios do exercício físico aparecem imediatamente e protegem durante muito tempo após o término de uma sessão de atividades.
• Apesar de beneficiar a todo tipo de indivíduo, os exercícios físicos são ainda mais efetivos em pessoas que não faziam nenhum tipo de atividade.
• Independentemente da idade, os exercícios são benéficos para toda a saúde. Mas pessoas com mais de 50 anos têm um decréscimo ainda mais rápido dos sintomas da depressão quando começam a se exercitar.
• O fator protetivo independe do sexo.
• Andar ou fazer uma corrida leve são as formas mais frequentes de se começar a se exercitar, mas qualquer tipo de atividade – seja aeróbica, como a corrida, ou anaeróbica, como a musculação – diminuem os sintomas da depressão, variando apenas o grau de decréscimo dos sintomas.
• Quanto mais tempo se exercitando, mais rápido os efeitos.
• A combinação de psicoterapia, medicamentos e exercícios físicos é a melhor forma de combater a depressão, confirmam os pesquisadores.
Como diz a máxima: “mente sã, corpo são”. Portanto não fique parado. Não é apenas uma questão de estética, mas de saúde para todo o corpo e para a mente.
informações da American Psychological Association

Especialista dá o caminho das pedras para você mudar suas atitudes e se concentrar em mudar sua vida. Para melhor, claro!



1. Aprenda a perder
A vida é feita de escolhas. Sempre há, no mínimo, duas opções em uma situação. Mesmo que ambas sejam ruins, uma delas é a menos pior. Assuma-a!
2. Identifique seus objetivos na vida
Descubra o que quer alcançar em cada área de sua vida (profissional, amorosa, familiar, etc.) e trace metas possíveis para atingi-las.
3. Avalie e reavalie periodicamente suas expectativas
Tanto em relação a si mesmo quanto aos outros. Lembre-se: tudo na vida tem um tempo certo para você e, também, para todos aqueles que estão ao seu redor.
4. Aprenda a aceitar e fazer elogios
Não desconte seus pontos positivos. Ser modesto ou humilde não são sinônimos de se desmerecer.
5. Aprenda a dizer “não” sem culpa
É importante colocarmos limites aos outros e, principalmente, a nós mesmos.
6. Faça terapia
Aprenda a lidar com emoções difíceis na terapia de uma vez por todas e aumente cada vez mais a qualidade da sua vida. Lute sempre para ter uma vida boa.
7. Organize sua agenda profissional e pessoal
Identifique as suas prioridades e seja realista. Não se sabote colocando uma série de compromissos durante o dia que sabe que não conseguirá cumprir, a menos que queira se sentir improdutivo e ansioso todo dia.
8. Aprenda a delegar tarefas
Confie na capacidade das pessoas. Pergunte-se: “Será que o fato de os outros se desviarem o mínimo que seja do meu padrão é uma demonstração de que seus padrões são baixos ou não existem?”
9. Tolere as diferenças
Aprenda a tolerar o seu sentimento de raiva quando alguém age de maneira diversa da sua em uma situação. Pergunte-se: se todos agirmos da mesma forma, os problemas terão soluções novas? E lembre-se: “Qualquer um pode zangar-se – isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa não é fácil” (Aristóteles).
10. Crie coragem para mudar
Identifique o que lhe causa estresse em seu dia a dia e faça mudanças. Se continuar fazendo o mesmo sempre, o que lhe faz pensar que terá outro resultado?


por Viviane Sampaio

O autismo (ou transtorno do aspecto autista) é um transtorno que afeta uma em cada mil crianças em todo o mundo. Sem uma causa definida – não tem marcadores biológicos objetivos, como variações genéticas – o problema também não é facilmente reconhecido, pois não há traços físicos que indiquem o transtorno (ao contrário de outras síndromes, como a de Down). A falta de comunicação e de contato social são os maiores indicadores de que a criança possa sofrer desse transtorno.


“A avaliação normalmente é feita após os 36 meses de idade, pois é quando os pais notam alguma diferença no comportamento dos filhos e o encaminham para algum especialista, como fonoaudiólogas – pois observam o comprometimento da fala – ou neurologistas”, explica Julianna Matteo, psicóloga e pesquisadora do tema, que trabalha junto ao Grupo de Saúde Mental da Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência (Avape), ligado ao Projeto Distúrbios do Desenvolvimento do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), e liderado por Francisco Asumpção, especialista no transtorno.
Comunicação afetada
As principais áreas afetadas nas crianças com autismo é a comunicação e a interação social. “As crianças autistas se isolam, não se comunicam efetivamente e têm grande dificuldade de manter contato visual com outras pessoas. O próprio nome ‘autismo’ quer dizer isso: em si mesmo, ou seja, uma pessoa que se isola no seu próprio mundo”, diz Julianna.
Outras características desses indivíduos são estereotipias – maneirismos – bastante conhecidas da maioria das pessoas: movimentos motores repetitivos sem função, como balançar o tronco ou as mãos. “Esses maneirismo causam algum bem-estar nesses indivíduos, que os repetem constantemente”, explica a especialista. Outras características apontadas por Julianna é a falta de medo – eles não pressentem o perigo de alguma ação iminente, assim como parecem não sentir dor –, a agressividade contra si mesmo ou contra terceiros e, dependendo do indivíduo, hiperatividade ou hipoatividade acentuada.
Nível intelectual também é afetado
“Cerca de 80% dos indivíduos com autismo também têm algum déficit intelectual”, observa Julianna. Em compensação, também há casos em que o nível intelectual é acima da média. Nesses casos a memória é excepcional, mas focada em assuntos de interesse específico. “Essa variação do espectro autista é chamada de Síndrome de Asperger”, explica. Mas mesmo com a inteligência acima da média, os problemas de comunicação ainda são presentes nesses indivíduos.
Desafio em pesquisar o assunto
A complexidade do assunto e a demanda desse público específico de pacientes com autismo, e seus cuidadores, levou os profissionais da Avape a reunir uma equipe multidisciplinar buscando uma melhor compreensão sobre o tema. A ideia é fomentar a pesquisa sobre o tema e, consequentemente, auxiliar a população. Um dos principais trabalhos é a validação – adaptação e avaliação – de escalas usadas em outros países para diagnosticar o transtorno.
“A principal ideia do grupo é estudar o autismo, um dos transtornos mais difíceis de serem diagnosticados, devido à inexistência de marcadores biológicos e à frequente combinação com outros diagnósticos, tanto na parte teórica quanto na prática”, afirma Claudio Gomes, médico assessor clínico da Avape.
Benefícios para a população
Para a população com autismo, o principal benefício desta parceria é obter um diagnóstico correto e precoce na medida em que se ampliam as possibilidades de aplicação de testes e inventários, além de um melhor direcionamento para o tratamento e prognóstico. Já para os profissionais envolvidos, a problemática proposta pelo grupo contribui com a divulgação do tema, pois o maior acesso às informações colabora com o aperfeiçoamento e conhecimento de instrumentais de avaliação, bem como de diretrizes para o tratamento.
Um dos resultados provenientes da parceria entre a Avape e a USP é uma cartilha para auxiliar pais e cuidadores no diagnóstico e entendimento do autismo. O manual expõe as principais características de diagnóstico do transtorno que podem ser observadas pelos pais e cuidadores desde a primeira infância. “A história aborda o que é o autismo e como diagnosticá-lo precocemente”, explica Gomes.
A cartilha será entregue para famílias e cuidadores de autistas atendidos pela Avape e também será disponibilizada na internet para download na página da Organização (www.avape.org.br). As próximas edições falarão dos modos de tratar, estimular e incluir o paciente com autismo na vida familiar e social.


por Enio Rodrigo/oqueeutenho.uol.com.br