DR. RELACIONAMENTO

Saiba quais são as cinco mentiras sobre o casamento e conheça algumas estratégias que ajudarão a evitar o fim da relação

Existem muitas mentiras sobre o casamento que precisam ser desmascaradas e combatidas. Só assim você conseguirá preservar um relacionamento saudável. O casamento feliz é uma conquista diária, que exige tanto esforço quanto uma carreira profissional de sucesso. Reconhecer essa fragilidade e construir um projeto para preservá-lo é vital para não ver a sua união acabar em divórcio, uma experiência difícil e dolorosa.

Confira algumas mentiras e verdades:

1. Mentira - você só precisa de amor e tudo vai dar certo
Verdade - Só o amor não é suficiente para o sucesso do casamento

Muitas pessoas insistem em acreditar que o casamento motivado pelo amor romântico tem o extraordinário poder de afastar os graves problemas da vida. Não se engane: essa história de que encontramos a alma gêmea, a pessoa que nos amará incondicionalmente até o final dos tempos, não importa o que fizermos, é pura ilusão. Seu parceiro na aventura do casamento não é perfeito nem adivinho, e será preciso dizer a ele o que faz você se sentir amada e até onde vai a sua tolerância. O primeiro passo é ter uma conversa franca consigo mesma. Por exemplo, se tem mania de ordem ou não suporta que ele chegue atrasado, assuma esses desejos e discuta-os abertamente. Assim você dará ao outro a oportunidade de aceitar esses limites ou perceberá com clareza o quanto terá que lutar para tentar mudá-los. Em geral, as pessoas evitam os assuntos capazes de produzir atritos no relacionamento - dinheiro, sexo, educação dos filhos - sem se dar conta de que são exatamente os que mais causam separações. Também tendem a ignorar o que lhes parece sem importância: a pasta de dentes destampada, a roupa suja no chão do banheiro, o jornal embaralhado. Se evitar esses probleminhas, eles não vão desaparecer; pelo contrário, vão minar lentamente a relação.


2. Mentira - Eu falo o tempo todo e ele não me ouve
Verdade - Uma boa comunicação requer muito mais do que uma conversa franca

Vivemos numa sociedade que nos estimula a ser francas sobre nossos sentimentos, mas não nos ensina a falar deles sem agressividade. Se chegamos em casa irritadas, é fácil descontar no parceiro e nos filhos e, assim, azedar a noite. Num mundo perfeito, deveríamos ser capazes de dizer: "Olha, tive um dia ruim e preciso de meia hora para relaxar. Daqui a pouco volto para conversarmos melhor". Em tese, qualquer adulto é capaz de se acalmar por pior que tenha sido o dia. Acontece que, se alguém reage mal a nós, temos uma incrível capacidade de pagar na mesma moeda, produzindo uma espiral de decepção e ressentimento. Quando o amor se transforma em decepção, é natural que haja um distanciamento emocional, e a separação pode ser só uma questão de tempo. Daí a importância de dominar a comunicação, evitando raiva, desprezo e sarcasmo. Procure sempre falar primeiro do que magoa você, não da sua irritação. Peça, de boa-fé, expressando com clareza e gentileza os seus desejos, em vez de fazer exigências. Exponha seus sentimentos sem dar à conversa um tom de crítica; isso aproxima os casais e favorece a intimidade duradoura.


3. Mentira - As pessoas não mudam
Verdade - A mudança é sempre possível, e pequenas mudanças produzem grandes resultados

Cedo ou tarde, na terapia da maior parte dos casais, alguém sempre pergunta se as pessoas podem, de fato, mudar. Isso é possível, sim. A questão é o que pode mudar e os fatores que impedem a mudança. O maior obstáculo é a crença de que não é você que precisa de ajustes – o problema é com o outro. Para evitar essa armadilha, tenha em mente que a mudança é uma luta em direção à maturidade e que é nossa obrigação crescer dentro do relacionamento conjugal. Ou seja, melhorar. E quanto é preciso mudar para tirar o casamento do impasse da estagnação? Em geral, muito pouco. O segredo é estimular no cônjuge a menor mudança possível que seja capaz de satisfazer você e, ao mesmo tempo, convencer seu parceiro de que não será tão ruim assim. Essa atitude recebe o nome de solução dos 10%. Jacobs se recorda de ter atendido uma mulher que não trabalhava fora e se queixava de que o marido nunca ligava durante o dia para saber dela. Com isso, não se sentia amada. Ele sugeriu a esse marido que, por mais ocupado que estivesse, ligasse uma vez por semana; a mulher, por seu lado, se comprometeria a ter conversas breves. Era uma mexida tão pequena na rotina que parecia ridículo dizer "não": acataram a sugestão. Hoje, ele liga várias vezes por semana, a mulher se sente lembrada e a relação melhorou. Coloque na mesa de negociações as mudanças capazes de ajudar você e seu casamento. Faça pequenos pedidos, com calma e sem acusações. Explique as razões. Pode ser a chance de que seu casamento precisa para prosseguir saudável.

4. Mentira - Quando você se casa, constitui a própria família
Verdade - Você leva sua família de origem para o casamento, por mais que se esforce por mantê-la afastada

Quem quer preservar uma relação amorosa por muitos anos precisa ter consciência da influência das tradições familiares sobre sua vida. Muitos casais acabam repetindo situações indesejáveis, seja perpetuando o padrão, seja criando um modelo novo, porém igualmente nocivo. Uma criança que cresce vendo os pais brigarem pode, por exemplo, imitá-los na vida adulta. Ou evitar conflitos a todo custo, o que é igualmente ruim. É importante saber reconhecer os padrões negativos que herdamos da nossa família e fazer escolhas conscientes sem deixar de afirmar o nosso amor. Busque manter um bom relacionamento com seus pais e nunca corte os laços totalmente, ainda que a influência da família seja muito complicada. Os laços de sangue são para sempre.

5. Mentira - O casamento igualitário é mais fácil que o casamento tradicional
Verdade - O casamento igualitário permite negociar as diferenças com mais justiça, mas quase sempre com grande dificuldade

Um novo modelo de casamento está em alta. Nele, marido e mulher querem ter voz igual na parceria. Dividem as responsabilidades e tomam decisões conjuntas sobre despesas e planos futuros. Quando têm filhos, em geral se comprometem a dividir igualmente as obrigações. Na teoria, é uma mudança bem-vinda em relação aos casamentos do passado. Na prática, a passagem do velho para o novo paradigma está cheia de armadilhas. Muitos homens esperam que a mulher trabalhe e contribua, mas continuam supondo que ela cuidará da casa. Muitas mulheres negligenciam a administração doméstica ou a educação dos filhos porque estão mais preocupadas com a carreira. A maioria dos casais está num dilema e se culpa mutuamente pela frustração com seus papéis. A saída para esse nó é elaborar uma lista de tarefas que deve ser dividida de maneira justa, levando em conta algumas questões: quem faz isso melhor? Quem adora ou detesta fazer determinado trabalho? Vocês podem se revezar? Uma vez fixados os deveres e responsabilidades, é preciso praticar a arte de manter-se em silêncio, sem espezinhar, enquanto o outro faz a sua parte. E notar e elogiar o esforço do outro. É impressionante como os casais se esquecem disso.

com informações /claudia.abril.com.br
'Olá meu nome é Maria, e hoje eu lhe contar a minha história... Me casei com o Jorge apaixonadíssima. Nossa vida era boa, a única coisa que me incomodava era o seu ciúme. Nunca pude vestir uma bermuda ou qualquer roupa mais justa sem que ele dissesse que eu estava a fim de aparecer para outros homens ou de olho em alguém. Ninguém podia pronunciar o nome de qualquer ex-namorado meu que já era motivo para brigas. Quando falava em ter um filho, ele se irritava. Queria que meu corpo continuasse violão e achava que um bebê iria estragá-lo.

Eu ia levando a vida apesar desse ciúme exagerado, mas tudo mudou no terceiro ano de casados. Martin, um irmão do Jorge que morava com a mãe, na Argentina, desde os 8 anos de idade, foi morar conosco. Ele era músico, tocava e cantava na noite e queria fazer fortuna no Brasil. Moreno, alto, de cabelos negros e olhar atraente, Martin falava apenas o necessário no princípio. Era muito calado. Ele e Jorge se davam muito bem. Por várias vezes o Martin assistiu nossas brigas e viu as cenas de ciúme do irmão, mas não se intrometeu.

Numa manhã de sol intenso, desci cedo para comprar pão e jornais. Jorge estava dormindo e Martin ainda roncava no sofá-cama da sala. Quando abri a porta da cozinha, ao voltar, dei de cara com Jorge, de pé, próximo à pia.

Ele me olhou de cima a baixo. Eu estava com uma bermuda branca apertada, mini-blusa azul floral, cabelos soltos e sandálias. Jorge balançou a cabeça em sinal de reprovação:

- "Maria, você não tem jeito, né? Por que desceu com esse projeto de roupa? Tá afim de aparecer, é? Já disse que dentro de casa tudo bem, porque o Martin é meu irmão e nele eu confio, mas na rua?"

Pedi para ele não brigar comigo, mas não houve jeito. Jorge me xingou com palavras impublicáveis. Me irritei muito e acabei falando que ele era um psicótico, um louco. Se soubesse de sua reação, teria ficado calada... 

Depois de me xingar, Jorge começou a me bater. Senti um golpe seco esquentando meu rosto e a maior humilhação do mundo. Ao ouvir meus gritos, Martin apareceu na cozinha. Minha boca sangrava quando ele finalmente conseguiu afastar Jorge de mim. Martin tentou amenizar a situação.

- "Jorge, não faça isso mano!", dizia.

Corri para o quarto assim que consegui me desvencilhar. Fiquei lá trancada, chorando.

Horas mais tarde, meu marido, já mais calmo, quis conversar. Bateu na porta e pediu que abrisse. Achei que ele tinha se arrependido, que talvez quisesse pedir perdão. Abri sem olhar para sua cara e sentei na cama, esperando uma explicação para tanta violência.

- "Maria, isso foi só para você sentir que estou zangado. Não quero te machucar de novo, certo? Então, é só andar como uma mulher decente e não como uma vadia. Se te pegar de novo saindo daquele jeito, vou te machucar muito", avisou.

Nem respondi. Estava morrendo de medo. Jorge se aproximou, acariciou meus cabelos, beijou meu pescoço, meu rosto. Senti repulsa, repugnância. "Nojento, nojento", pensava.

Desde que meu cunhado veio morar conosco, Jorge estava violento demais. Tudo era motivo para me maltratar: um bife mal passado, um bife passado demais... 


Certo dia, Jorge teve que viajar a trabalho. Como ficaria três dias fora de casa, aproveitei para visitar meus pais. Quando voltei, ele já havia chegado. Martin explicou que eu estava com meus pais, mas Jorge não ficou satisfeito. Ao entrar em casa, fui novamente xingada e espancada. Martin tinha ido fazer umas compras e não tive quem me ajudasse. Jorge, feito louco, me acusava de estar com outro e, por mais que negasse, ele, possesso de ciúme e ódio, continuava me machucando.

Depois disso, perdi toda vontade de sair. Nem queria por o pé na rua. Sempre que precisava algo, pedia ao Martin. Jorge parecia satisfeito, já que desse modo ninguém olharia para mim.

Tentava até evitar Martin, por medo do meu marido, mas essa tarefa ficava cada dia mais difícil. Meu cunhado era um homem bonito, de olhar arisco e jeito de amante latino. Comecei a sentir que mexia comigo. Mas, cada vez que me pegava pensando nele, dizia a mim mesma: "Ele se parece com Jorge, por isso o acho bonito."

A verdade é que estava ferida por dentro e por fora e já não sentia mais amor por Jorge. Ele me maltratava demais. Martin era muito divertido, carinhoso e eu estava me apaixonando. Mas aquilo era um perigo, além de ser imoral. Não podia aceitar tal situação!  

Certa manhã, Martin voltou da noite carregando uma guitarra e um violão. 
Pedi que ele tocasse uma música brasileira pra mim. Ele escolheu a canção de João Paulo e Daniel, Estou Apaixonado. Entendi o recado e senti uma mistura estranha dentro de mim. Por um lado, era toda alegria, emoção. Por outro, me senti leviana, suja, pensei que talvez merecesse as surras que Jorge me dava. Fiquei o tempo todo de cabeça baixa, sem conseguir encarar aqueles olhos negros, apaixonantes.

Martin tocou aquela música várias vezes. Em algumas ocasiões, pensava que ele tinha lido a paixão nos meus olhos e estava me acusando. Outras vezes, sentia que estava me provocando, me tentando. Não sabia o que pensar. Jorge confiava plenamente em Martin. Ele até lhe pedia que me vigiasse, que não me deixasse sair. Jorge estava certo de que eu estava resguardada, que não saía de casa para nada.

Em meio a toda essa confusão, minha única alegria era ver e ouvir Martin tocar, cantar. Sua simples existência me encantava. Estava totalmente apaixonada por ele e percebi que minha única saída era pedir a separação. Ia dizer ao Jorge que não agüentava mais viver presa. Tentei conversar, mas não consegui terminar a frase "Quero pedir o divórcio". Ele me empurrou contra a parede e me esbofeteou.

Naquele momento, Martin o repreendeu. Jorge foi para a rua e trancou a porta. Enquanto eu chorava, Martin, sem se preocupar com o que pudesse acontecer, me abraçou e protegeu. Ele me acariciou de mansinho, me beijou a testa e as mãos. Expliquei o porquê da briga e Martin não concordou com o divórcio, disse que Jorge me amava muito.

Depois desse episódio, tudo voltou ao normal.

Era como se nada tivesse acontecido para Jorge.

Ele usava, abusava de mim e dizia que me amava. Numa noite chuvosa, ele saiu para trabalhar. Jorge só voltaria no dia seguinte, no fim da tarde. Depois que Jorge saiu, Martin, que estava gripado, ficou com febre. Cuidei dele com remédios e chá. Fiquei bem perto, lhe dando carinho e atenção. Aquilo foi uma tentação. Acabei perdendo a cabeça e me declarei a ele! O tesão que Martin sentia por mim era evidente, eu já o havia notado, pela forma que me olhava quando Jorge não estava em casa.

Martin me possuiu sem a menor resistência ou pudor. 

Quando Jorge voltou para casa, Martin não conseguia ser natural, estava tenso e logo passou a dormir no local onde trabalhava. Eles quase não se viam, porque Martin trabalhava à noite e dormia durante o dia. Os dois irmãos combinaram de se encontrar pelo menos uma vez por semana. Nesses dias de visita, meu cunhado chegava mais cedo para ficar comigo. Meu marido nem desconfiava.

Uma amiga me repreendeu e disse que eu precisava ser honesta e me decidir por um dos dois. Mas não dava para eu largar o Jorge. Ele me mataria se pedisse a separação.

Dias e dias se passaram até que Martin arranjou uma namorada firme e foi morar na casa dele. A notícia caiu feito bomba para mim. Fiquei louca de ciúme e briguei a valer com ele. Não conseguia pensar em mais nada, só na traição. Resolvi contar tudo para o meu marido. Afinal, se ele me matasse, pelo menos não sofreria mais por saber que Martin tinha abusado do meu amor e agora estava com outra. Tomei toda a coragem do mundo e chamei Jorge para uma conversa séria.

Com muita calma, disse ao meu marido que o traía com Martin e que gostava de transar com ele. Jorge riu com ar cínico. Ele falou que sabia de tudo desde o princípio! Disse também que deixou o caso continuar porque, pelo menos, não era com um homem estranho. Nesse momento, ele se aproximou, segurou meu braço e confessou que sentia ainda mas atração por mim por saber que eu era capaz de traí-lo.

Por mais estranho que pareça, naquela hora nos entregamos a uma ardente paixão e começamos uma verdadeira segunda lua-de-mel. Meu marido passou a confiar em mim e sempre repetia que se eu fosse mesmo vadia não teria contado a verdade. Na verdade, ser traído era uma tara inconfessável que agora ele não tinha mais por que esconder.

Ainda hoje dou minhas escapadinhas com meu cunhado, que não sabe que Jorge descobriu tudo. Martin pensa diferente do irmão e não aceitaria o triângulo. Ele diz me amar, mas mora com Fátima, uma garota que também canta na noite.

No fundo, nos três somos felizes desse jeito louco. Alguém entende a humanidade? '

||THE END||


 





Olá Dr. Relacionamento, meu nomé é Célia e preciso da sua ajuda, é o seguinte o meu namorado tem 49 anos,solteiro e nunca se casou. Eu tenho 47 anos mais já fui casada e tenho 3 filhos moços , que por sinal não gostam dele pq. acham que ele me faz sofrer. sua irmã tem 47 anos nunca se casou e não namora, eles moram com sua mãe de 78 anos , namoro com ele há 15 anos cada um na sua casa. seu pai quando era vivo,dormia com sua irmã na mesma cama os dois pelados, sua mãe ate hoje fica totalmente pelada , na casa a noite , sua irmã tb fica totalmente pelada e até sem calcinha na minha frente qdo eu estou lá , sempre achei muito estranho esta atitude e ele fala que é minha irmã , minha mãe, que não tem nada de mais, mais isso me incomoda.....falo para ele que não sou da familia e que é falta de respeito sua irmã ficar pelada na minha frente , a mãe dele quando me ve procura colocar alguma coisa em cima do corpo para disfaçar, ele já foi operado de hernia de disco e sua irmã e quem dava banho nele, eu não gostava, mais a propria mãe falava que era normal....ontem eu liguei para ele e demorou para atender o tel. perguntei o pq. disso, ai ele falou que estava dando banho na mãe e na irmã, na sua mãe pq ultimamente não esta podendo se levantar e na irmã pq esta com dor na coluna pois ela vai operar a hernia de disco tb , nossa isso me abalou t anto ....que nem consegui dormir direito , ai ele falou que não deu banho na sua irmã que só falou isso para que eu ficasse com ciumes...e que não teria nada de mais ele dar banho nela se precisar,estou totalmente perdida...não sei o que eu faço, estou com raiva ao mesmo tempo vejo que ele não se importa comigo, sem contar que toda hora me chama de gorda,estou com minha auto estima muito baixa, não sei o que eu faço, sempre que estou na casa dele ele só sabe valorizar e elogiar a sua irmã , na minha frente e quanto a mim só quer brigar comigo me chamando de gorda na frente da mãe e da irmã,sinto que ele não me dá valor pois eu não trabalho , mais ele nunca me sustentou , nunca me bancou e com isso cada vez que volto da casa dele, ataco a geladeira,finais de semana procuro ficar na minha casa pq sei que eu vou me aborrecer indo lá , por favor me ajude. Agradeço muito!"
 
  
Olá, Célia. Poxa vida, que situação constrangedora. Aonde foi que você se meteu em minha filha?!

Quero deixar bem claro que entendo perfeitamente o seu ponto de vista, é muito desagradável chegar na casa de uma pessoa e encontra-lá nua, sem roupas. Por uma questão de modos, higiene pessoal e educação, em fim, porém, o problema é: Você já os conheceu assim, certo? Você está tendo uma relação com um homem que teve uma criação onde este habito é totalmente comum. Você não tem direito, e mesmo se tivesse, não poderia muda-los. Eu sei que estamos falando de uma relação de 15 anos, não são 15 dias, existe toda uma história. Mas, se você não quer conviver com esse tipo de constrangimento, a atitude mais indicada a ser tomada seria evitar as visitas - corte totalmente, caso queira se encontrar com ele, marque em algum outro local. 
Provavelmente com essa atitude, você será questionada. E esse é o momento em que você empregará as suas opiniões. Obviamente de uma meneira totalmente sugestiva, se você for muito direta estará transcendendo os limites do respeito(ele vai achar que você não aceita e não respeita o modo como a família dele vive), sugestivamente então, você ira dizer que não se sente bem lá, e que fica constrangida com a situação toda. 
Eu sinceramente não sei como você aguentou(sobreviveu) 15 anos, eu dei uma possível solução acima para o seu problema em questão, porém, a minha real opinião e posicionamente perante a sua relação é outra. 

Eu acho que você não deveria nem estar com este homem, você é uma mulher madura e experiente.
Acredito piamente, e suponho também que certamente esse não é o tipo de relacionamento que você desejaria ter. O problema do seu ciúmes com a irmã dele(ou suposta ameaça que ela possa representar), é muito pequeno perando todos os outros problemas que se encontra a relação, e que se encontra também, o seu estado emocional.

Apezar de não parecer, em nenhum momento o causador ou motivação dos problemas se decorrem ao seu parceiro, mas sim, a você mesma, que está alimentando uma relação auto-destrutiva. No contexto geral você pede por respeito, você diz: 'Eu quero ser respeitada!', enquanto, você mesma não se respeita sendo leviana sobre as ofensas feitas pelo seu parceiro: "Você é gorda!"

Ninguém te respeita - porque você não se respeita. Ainda há tempo de começar tudo de novo - de acertar e ser feliz de verdade. Você tem duas coisas fundamentais nesse momento para fazer uma metamorfose em sua vida: o apoio da sua família(seus filhos), e a vontade de mudar. O resto depende somente de você!


@rickymoscoutti / Dr. Relacionamento /
Sempre em defesa de quem precisa de ajuda!
 

Nenhum de nós é 100% verdadeiro, 100% do tempo.

O ego exige admiração e respeito, e assim, buscamos parecer “aquele cara legal”. Quando sentimos muita preguiça de trabalhar no fim de semana, usamos as pessoas que amamos como desculpa e justificamos: “A família vem em primeiro lugar!”, quando sabemos que podíamos muito bem ter encontrado algum tempo entre a televisão e a internet. Quando ajudamos em algum projeto voluntário, logo queremos contar para os amigos, mas quando gritamos com algum colega de trabalho ou magoamos alguém próximo a nós, é pouco provável que coloquemos esses atos na atualização do nosso Facebook.

Isso acontece até mesmo com as pessoas mais espirituais! Talvez nosso desejo seja ter mais pessoas inspiradas a trilhar esse caminho e então fingimos ser seres humanos perfeitos; queremos que as pessoas pensem que não temos ego e que nas nossas vidas não existem conflitos. Mas enquanto isso pode despertar algumas pessoas para o estudo, imagine o que elas pensariam da Kabbalah quando descobrissem que você ainda possui ego, ou que você ainda possui desafios a superar.

No final, a verdade sempre aparece.

Esse é um bom motivo pelo qual muitos de nós fracassamos no trabalho espiritual. Tentamos demonstrar como somos bondosos por fora, mas por dentro não somos realmente o que aparentamos.

Desenvolver a Luz interior é um processo de transformação da negatividade encerrada em nós que ninguém vê. O importante é não mentir para os outros ou para nós mesmos – na tentativa de encobrir essa negatividade. Em pouco tempo, acreditaremos na mentira e lá se vai o nosso trabalho espiritual por água abaixo.

Vivemos em uma cultura que glorifica a autopromoção, mas tentar parecer “melhor” do que somos na verdade nunca nos trará plenitude genuína. Isso só vem quando aprendemos a “encolher” nosso ego para que possamos encontrar a aceitação e a verdade. Aceitar-nos a nós mesmos conduz à aceitação dos outros. Expor nossa negatividade para os outros é expô-la para a Luz.

A tarefa dessa semana é: Seja Verdadeiro! Derrube algumas das paredes que você construiu, retire as máscaras e não tenha medo de abraçar a si próprio como um ser humano falho. Todos nós somos!

Somente encarando a verdade sobre a nossa negatividade é que podemos começar qualquer trabalho honesto para removê-la.

Tudo de bom,

por Yehuda Berg




'Estranho olhar esta casa vazia... Mesmo depois de tudo! Sem móveis nem cortinas; as paredes, agora brancas, são como folhas de papel que pedem para ser preenchidas. Me inspiram a escrever minha história. Parte dela se passou aqui! Se você só acredita no material, no físico e palpável, não se dê ao trabalho de lê-la. Só prossiga se, como eu, acreditar que o mundo é muito maior do que compreendemos e o amor pode ir além do "normal". Aí, talvez, você entenda como me sinto e, quem sabe, até tenha passado por isso antes - e só não contou por receio de parecer maluca. Pois bem: não tenho esse medo!

Meu nome é Shirley, e hoje eu vou te contar a minha história, ela começa no friorento junho de 1995. Quando eu acabara de completar 15 anos e estreava meu lindo casaco de lã rosa na escola. Aproveitei o intervalo para exibi-lo. Em meio ao animado papo com as meninas, notei um gato me olhando lá do outro lado do ginásio. Nunca vira aquele moço alto, magro, de cabelos cacheados. Cercado de colegas, parecia se divertir muito. "Shirley, viu fantasma?!", brincou uma das meninas. Sorri, envergonhada, e todas notaram o foco da minha atenção. "Ah, está de olho no Ricardo... Acabou de ser transferido para cá. A prima dele estuda comigo, me contou tudo", entregou Laudecir, "fofoqueira número um" do colégio.

O dito-cujo também notou meu interesse. Fez cara de sem-vergonha e me deu a maior secada. Tremi feito vara verde. Disse algo aos amigos e veio na minha direção. "Lau, o que eu faço?!", sussurrei, em pânico. Minhas amigas piscaram umas para as outras. Decidi sair correndo direto para a sala de aula vazia. Sentei na minha carteira, o coração saltando pela boca. Jamais sentira nada parecido.

O sinal bateu, todos voltaram para a classe. Laudecir chegou bronqueada: "Sua maluca! O bonitão veio falar com você e a senhorita fugiu feito o diabo da cruz. Pirou?". Eu não sabia onde enfiar a cabeça. Ainda era virgem e inexperiente com rapazes. Aquela situação me fez virar uma medrosa de carteirinha. "Ah, ele deixou isso aqui...", murmurou Nina, esticando um bilhetinho para mim. Corada, me afastei delas para ler o papel. "Da próxima vez, não precisa fugir: eu não mordo. Do seu amigo, Ricardo". 


Após uma noite maldormida, tomei a decisão: iria falar com ele. Mesmo com medo de ganhar fama de vagabunda, iria ver o que ele queria. Sentia-me determinada e nada me impediria. O máximo que poderia acontecer era o cara só querer amizade. E eu entenderia. Quer dizer, ACHO que compreenderia.

Pensando em tudo, menos em estudar, caprichei na maquiagem ao ir para a escola. A professora de matemática me chamou a atenção umas seis vezes: "Você não está nem aí hoje, hein?!". Minhas amigas riam, pois sabiam onde estava com a cabeça.

Finalmente, chegou o intervalo. Disparei para a cantina. Pedi um lanche e um suco e fiquei fazendo hora. Discretamente, olhava para os arredores, procurando meu príncipe encantado. E não demorou para que eu o enxergasse: abraçado a uma loira peituda, metida numa saia que mal cabia nela e, ainda por cima, com a maior cara de safada. Na certa, eu havia chegado tarde demais!

Voltei chorando para a sala de aula. "Homens são todos iguais. E as vagabundas também!", resmunguei. Nisso, me dei conta que estava sendo observada. "Oi", disse Ricardo. Tomei o maior susto, mas encarei-o. Brava. "Shirley, corri atrás de você, mas acho que não percebeu...", continuou. "Olá, mas quem é você?", interrompi, fingindo nunca tê-lo notado na vida. Ele sabia que eu estava mentindo. Pelo seu olhar, tive certeza que Ricardo tinha noção de quanto eu o desejava. "Bem, sou o cara com quem você trocou uns olhares outro dia. E, só para esclarecer, a garota loira que estava comigo é minha prima. Ela estuda na sala ao lado!", disse, como se estivesse prestando contas. De fato, estava.

Senti-me, ao mesmo tempo, aliviada e envergonhada. A moça era da família dele, não uma namoradinha. Mesmo assim, não pude dar o braço a torcer. "Que garota?! Nem vi...", murmurei, já esboçando um sorriso sem-graça. Desfeito o mal-entendido, começamos a papear. Ele disse que trabalhava na oficina de carros do pai; adorava jogar futebol. Eu contei que ajudava mamãe a fazer salgados e que amava dançar e ouvir música sertaneja, daquelas bem românticas. O súbito sinal da aula cortou nosso clima.

"Bem, a gente se vê no intervalo amanhã. Pode ser?", sugeriu ele, já bem à vontade comigo. Abri um sorrisão e o moço entendeu a resposta. Laudecir, que observava tudo da porta, grudou em mim assim que Ricardo se foi. "Shirley, me conte tudo...", sussurrou curiosa. Relatei os acontecimentos e minha amiga ficou mais maluca. Parecia até que era ela quem estava flertando com o gato. "Lau, ele é lindo, inteligente, trabalhador e carinhoso. Mas sou muito desconfiada. Por isso, irei com toda a calma", ponderei, tentando parecer madura. Por dentro, meu discurso era outro: queria assumir o quanto estava morrendo de vontade de beijar aquele rapaz na boca e de me entregar para ele.

As aulas de biologia, inglês e matemática do dia seguinte demoraram uma eternidade. A todo o momento eu olhava para o relógio, ansiosa pelo intervalo. Finalmente, o estridente sinal tocou. Corri para o pátio como se fugisse de alguém. Na verdade, estava: tentava escapar da minha solidão de adolescente tímida. Naquele momento, enxergava em Ricardo um portal para que eu pudesse crescer e amar como todas as mulheres fazem.

Com todos esses pensamentos malucos na cabeça, surgi na frente dele. "Você está uma gata", disse, assim que me viu. Sorri. Ele retribuiu. Notei que algo estava errado. "Tem um pouco de batom nos seus dentes...", brincou. Senti o rosto queimar de tão vermelha que fiquei, de vergonha. Havia exagerado na maquiagem para impressioná-lo sem saber usá-la direito. "Posso limpar para você?", insistiu, erguendo meu queixo cabisbaixo com seus dedos. Eu não entendi bem a pergunta, mas disse sim, sem pensar muito. O gato se aproximou e me deu nosso primeiro beijo. Senti sua língua passar pela minha boca inteira, inclusive pelos meus dentes. Quando nos separamos não existia mais nenhum resquício de batom em meus dentes. E não havia mais nenhum vestígio de solidão em meu coração. 

Eu e Ricardo passamos a namorar. Andávamos de mãos dadas pelo colégio, trocávamos beijos no pátio... Foi assim durante um ano. "Posso ir à sua casa conhecer seus pais?", perguntou ele, um dia. Ri, nervosa. "Será que vai pedir minha mão?", pensei. Como se lesse pensamento, o gato prosseguiu: "Acho legal me conhecerem para abençoar nosso namoro...".

Meus pais não sabiam que eu saía com ele. Por ser o primeiro homem da minha vida, tinha o maior medo de revelar o caso e pôr tudo a perder. Consultei Laudecir e outras colegas. "Vocês nem transaram ainda! Que mal há em contar, Shirley?", avaliou uma delas.

Decidi falar com meus pais. Pelo jeito que me sentia, parecia que estava prestes a revelar que era uma criminosa. "Estou namorando...", murmurei na mesa de jantar. Papai me lançou um olhar sério; mamãe apenas suspirou. Ela já devia ter passado por isso em algum momento da vida dela. "Esse moço é de família?", perguntou a dona da casa. Fiz que sim com a cabeça. Após muito questionamento, mamãe fez a pergunta derradeira, enquanto lavávamos a louça: "Você ainda é virgem?". Fiquei vermelha e contei a verdade. "Sim, a gente só se beija!".

Quando falei para Ricardo que estava autorizado a conhecer minha família, ele me pareceu mesmo emocionado. "Puxa, que bom que irei na casa da mulher da minha vida e da futura mãe dos meus filhos..." No sábado seguinte, chegou com flores e uma garrafa de uísque na mão. Lógico que todos o adoraram! Por que não iriam gostar de uma criatura tão doce como o meu amado?

Nosso terceiro ano de namoro coincidiu com meu aniversário de 18 anos. Muuuita coisa havia acontecido, menos aquilo que mamãe tanto temia. Como recompensa, meus pais permitiram que nós viajássemos juntos. Com a companhia das minhas amigas, claro. Já no primeiro dia, nós dois decidimos fazer uma caminhada pelo campo que rodeava o sítio onde estávamos. Assim que vimos uma linda cachoeira, ele olhou para mim. "Tudo bem se eu der um mergulho?", perguntou. Eu sorri. Então, ele tirou a roupa e ficou só de sunga. Ou seja, o danado já previa que aquilo fosse acontecer.

"Não trouxe biquíni...", disse, envergonhada. "Eu não vou achar nada ruim se tiver que vê-la de lingerie!", devolveu o sem-vergonha. Meus hormônios falaram mais alto que minha consciência e, por fim, me juntei a ele. Dentro da água fria, nós nos abraçamos. Ricardo estava tão excitado que a sunga mal podia comportar seu enorme desejo.(rs.rs...)Entre beijos molhados e carícias, deixei que me possuísse ali, na cachoeira. Não senti dor nem pudor. Parecia que havia me preparado a vida toda para aquele momento.

Assim que saímos da água, ele me entregou um anel de prata. "Ganhei uma gorjeta por causa de uma moto que consertei e resolvi comprar isto para você", disse. Enquanto eu chorava de emoção, vi um filme passar pela minha cabeça: casamento, filhos e uma velhice feliz ao lado dele. Tudo parecia tão perfeito que tinha medo de estar apenas sonhando. E - ah, as ironias da vida - eu talvez estivesse mesmo...

Em três anos nos casamos. A cerimônia foi muito simples, no sítio de um amigo de Ricardo. Enquanto fazíamos os votos de "felizes para sempre", pássaros gorjeavam e um delicioso vento soprava. Tudo como sempre sonháramos. Assim que o padre nos declarou marido e mulher, trocamos beijos ardentes, sob aplausos de familiares e colegas.

"Shirley, este é o dia mais importante da minha vida!", sussurrou Ricardo no meio de toda aquela farra. Eu, claro, disse o mesmo e pensei no convidado mais importante da noite que, curiosamente, não estava ao alcance dos nossos olhos, mas, sim, dentro de mim. Sim, eu estava grávida de um mês. "Nosso filho poderá contar aos amiguinhos que esteve no casório dos pais", brincou meu marido.

Só havia revelado a novidade para meus pais e para Laudecir. Queria deixar a gravidez evoluir direitinho antes de espalhar a boa-nova. "Quando este casal tão abençoado terá herdeiros?", quis saber uma tia. Sorri e alisei discretamente a barriga. "Quando Deus quiser, tia", devolvi sem ela perceber que eu já havia lhe dado a resposta.

Quando já estava no terceiro mês de gestação, contei para todo mundo. Ricardo, orgulhoso como nunca, ficou ainda mais exultante ao descobrir, no exame de ultrassom, que seria um menino. "O Ricardinho está chegando...", falava a todo o momento. Parecia uma criança, tamanha animação. "Assim que ele nascer, vamos sair desse apartamento e nos mudar para uma casa", anunciou, certa vez. Ele já não era mais funcionário da oficina de seu pai, mas o dono do estabelecimento. Trabalhador até não poder mais, havia conseguido melhorar os negócios da família e, graças a Deus, agora tinha condições de nos dar uma vida confortável e segura.

No quinto mês de gravidez, sua profecia se concretizou. Passamos a morar numa enorme casa de dois quartos. Ele mesmo pintou de azul o cantinho do nosso filho. "O moleque vai dormir num quarto bem bonito", falou, ao terminar sua obra-prima. Nos meses seguintes, vivi emoções inesquecíveis com meu homem: quase todas as noites nos amávamos e trocávamos juras de amor. Fizemos muitos jantares românticos e planos para o futuro. Um deles incluía até "encomendar" uma irmãzinha para Ricardinho.

No oitavo mês de gestação decidimos fazer uma viagem romântica para a praia. "Será a nossa última chance de ficar a sós antes de o bebê chegar", comentou meu amado, enquanto guardava a bagagem no carro. Durante o percurso, no meio da sinuosa serra, colocou para tocar As Flores do Jardim da Nossa Casa, de Roberto Carlos, minha canção favorita.

Sempre que eu estava mexendo na roseira de nosso quintal, ele tocava essa música para mim. Eu me emocionei. Ele também. Gentil, levou suas mãos aos meus olhos para enxugar minhas lágrimas e inclinou seu rosto para me dar um beijo. Derrepente! Um caminhão que vinha na direção contrária da pista não notou que havia saído de sua faixa. Antes que meus lábios tocassem os de Ricardo, ele se chocou em cheio com o nosso veículo, nos atirando para um barranco. Eu sobrevivi. Mas, tanto meu bebê como meu amor, não! 

Tique-taque, vrum, tique-taque, vrum... Aqueles ruídos estranhos ressoavam sem parar nos meus ouvidos. De onde vinham? Onde eu estava? Sentia meu corpo dolorido, fraco. Tentei abrir os olhos, mas não consegui. Voltei a dormir profundamente. Não sei quanto tempo se passou até que eu acordasse.

"Shirley, você está bem?", foi a primeira coisa que eu escutei. Mamãe estava ao lado da minha cama, no hospital. Acariciava minhas mãos, cheias de arranhões e hematomas. Só tive forças para murmurar: "Cadê o Ricardo?!". Ela olhou para meu pai, do outro lado do leito, e abaixou a cabeça. Ainda em estado de choque, levei as mãos até minha barriga. Mamãe abaixou a cabeça novamente.

Naquele instante, preferi morrer. Não enxerguei dentro de mim nenhum sentido para continuar viva. As duas coisas que mais amava haviam partido: meu marido e meu bebê. De uma hora para outra, a mulher feliz e prestes a ter uma família havia se tornado uma pessoa solitária e vazia. Laudecir, que logo reconheci no quarto, aproximou um lenço dos meus olhos para enxugar minhas lágrimas de dor. Encarei-a por algum tempo. Então, senti as pálpebras pesarem novamente. O sedativo estava fazendo efeito.

Até o dia em que recebi alta, não consegui pronunciar uma palavra. Não tinha vontade. Só me alimentava porque meus pais insistiam. Do contrário, teria virado um vegetal. Cheia de olheiras e com as feridas mais profundas que um coração pode suportar, deixei o hospital. Em vez de ir para minha casa, segui para a de papai e mamãe. Lá, fiquei duas semanas deitada, chorando e querendo ter morrido também.

Certa noite, estava no meu quarto de solteira, apática e triste, quando mamãe entrou. Ela pegou minha mão: "Filha, você está viva e precisa agradecer por isso. Não se entregue, Shirley". Encontrei nela mais do que apenas uma mãe, mas uma amiga - aliás, a melhor de todas. Nós nos abraçamos e choramos. Ela tinha razão: eu deveria reagir.

Minha primeira atitude foi voltar para casa. Preferi ir sozinha. Ao olhá-la do lado de fora, parecia que tudo estava igual. O jardim bem cuidado, a pintura recente impecável e o ar gostoso da vizinhança. Mas aquilo só me deixava pior. Ao abrir a porta, senti meu corpo tremer. Observei lentamente cada cômodo e caminhei até o quarto de Ricardinho, onde desabei num choro profundo. Peguei o ursinho de pelúcia que havia comprado para ele e comecei a niná-lo, exatamente como gostaria de ter feito com meu herdeiro.

Arrastei-me até meu quarto. Abri o guarda-roupa de Ricardo e comecei a acariciar suas roupas. Senti o cheiro do meu homem em cada peça, como se ele ainda estivesse ali, vivo. De repente, me vi sozinha, no meio de uma casa ampla e com o coração apertado. Abraçada ao brinquedo do meu filho e às roupas do meu marido, não enxergava como seria meu dia seguinte. Mesmo assim, decidi voltar a morar lá e enfrentar a realidade. E, por mais estranho que pareça, ao tomar essa decisão, ouvi uma voz masculina dizer "estarei sempre ao seu lado", num timbre que me era tão familiar! 

Após sentir a presença de Ricardo na casa, eu me senti diferente. Era como se ainda estivesse ali, vivo! "Shirley, você está maluca. Ele morreu, tudo acabou...", murmurava para mim mesma, tentando não pirar. Ainda assim, iniciei um ritual diário: sempre que estava em casa, prestava atenção a qualquer ruído na esperança de meu homem voltar a se comunicar comigo. "Amor, onde você está?!", gritei muitas vezes no auge de minha solidão.

Até que, numa noite de terça-feira, meu pedido foi atendido. Mas, em vez de ouvir a voz do meu marido, senti o toque de suas mãos em meus braços, exatamente como ele costumava fazer. Fiquei arrepiada e zonza. "Meu amor...", sussurrei, torcendo para que aquele momento se eternizasse. Um vento frio soprou da janela da sala. "Shirley, você precisa seguir a sua vida...". Ao ouvir aquela frase, comecei a chorar. "Ricardo, não consigo. Não sem você! Por favor, volte!", respondi olhando ao redor, na expectativa de vê-lo.

De repente, o vento parou. A voz sumiu. O arrepio cessou. "Não me abandone...", choraminguei. No dia seguinte, fui ver mamãe. Precisava relatar o que estava acontecendo. Ela ouviu com paciência. Enquanto eu tomava um copo de água com açúcar, fez de tudo para tranquilizar a filha aflita. "Está na hora de deixá-lo em paz. Ricardo já morreu, mas você não! Reconstrua sua vida, Shirley".

Mais uma vez, ela tinha razão. Mas quando você está sofrendo demais, fica surda e não ouve esses conselhos importantes. Foi o que aconteceu comigo. Voltei para casa e continuei chamando pelo nome do meu marido. Passei a madrugada inteira assim, feito maluca. "Deus, por que você permitiu que isso acontecesse comigo?! Por quê?!", repetia.

Passei a não sair de casa e a comer pouco. No fundo, queria morrer, acabar logo com o sofrimento e, sobretudo, reencontrar meu grande amor no plano espiritual. Quando ouvi o toque da campainha naquela manhã chuvosa de sexta-feira, mal tive forças para levantar da cama e ir até a janela. Uma moça com roupas puídas e cabelos desgrenhados estava ao portão. "Bom-dia. A senhora pode ajudar com alguma comida para meus filhos?, perguntou. Fiquei olhando para aquela família carente. Como se acordasse de uma hipnose, pedi um minuto e fui até a cozinha.

Quando entreguei os mantimentos, vi nos olhinhos daqueles pequenos um brilho de agradecimento. Eles poderiam ser meus filhos. Mas não eram. E aquela mulher, apesar de viver em uma condição miserável, estava lutando para sustentá-los, mantê-los vivos. Todos me agradeceram e partiram.

Ao entrar, eu me senti estranha. Como se algo tivesse mudado dentro de mim - e mudado para muito melhor. Até mesmo a casa parecia mais iluminada, arejada. Abri todas as janelas e faxinei cômodo por cômodo. Eu havia ajudado outras pessoas. Era hora de me ajudar também. Se aquela moça lutava tanto pela vida dela e de seus filhos, não era justo que eu me entregasse. A voz familiar que ouvi naquela noite me disse que eu estava no caminho certo. E, dessa vez, não chorei ao escutá-la. Pelo contrário, me senti alegre, de de volta à vida. 

Deixei a casa dos meus pais e voltei a morar no meu cantinho. Nas primeiras noites, confesso, ainda me sentia só. Às vezes, caminhava pelos cômodos na esperança de ver ou ouvir meu marido. Mas não me sentia frustrada por não fazer contato algum. Pelo contrário: no fundo, sabia que ele devia estar em outro lugar, feliz por ver que eu, finalmente, seguia meu próprio caminho.

Assim, dia após dia, passei a mudar meu comportamento. Pintei a casa, troquei os móveis de lugar e joguei fora tudo o que não me servia mais. A única coisa em que não mexi foi no enorme porta-retratos da sala. Na foto, Ricardo e eu fazíamos pose num passeio pelo parque. O sorriso estampado em nossos rostos denunciava o quanto nos amávamos. Eu jamais me desfaria daquele momento tão importante de nossas vidas. No entanto, prometi a mim mesma que não passaria a eternidade olhando para aquela imagem como se fosse minha única chance de felicidade.

No trabalho, meus colegas também notaram que eu estava diferente. Aos poucos, voltava a ser a mesma Shirley de sempre. Por precaução, todos evitavam qualquer tipo de comentário sobre maridos e namorados perto de mim. "Menina, nós vamos a uma festa no sábado. Não quer ir com a gente?", perguntou-me Samara, uma amiga do escritório. Festas? Eu já nem sabia o que era uma festa... De qualquer forma, antes de recusar o convite, pedi um dia para pensar.

À noite, em casa, fiquei olhando para o retrato. "Ricardo, o que você acha de eu me divertir um pouco?", murmurei. De repente, senti um arrepio na nuca. "É hora de você seguir adiante...", ouvi. Era a voz dele. Eu sabia. Uma lágrima escorreu em meu rosto. "E é hora de eu seguir o meu caminho", concluiu.

Comecei a chorar de verdade, mas não de tristeza. Pela primeira vez em muito tempo, derramei lágrimas de felicidade. Eu sabia que era o momento de libertar Ricardo e de me libertar. Decidi ir à tal festa com o pessoal do trabalho no fim de semana.

No começo, ao ver tanta gente, eu me senti um pouco de lado. Mas, aos poucos,meus colegas me ajudaram a interagir e logo comecei a me divertir também. A música estava muito boa e os comes e bebes também. Encontrei pessoas que não conhecia e troquei muitas ideias com elas. Vez ou outra, notava algum homem me olhando. "Menina, você faz sucesso com a ala masculina, viu?", brincou uma amiga. Sorri amarelo, mas gostei do comentário. Ele fazia eu me sentir viva!

Passei a sair muito mais depois daquela festa. Voltei a ir ao cinema e frequentar reuniões sociais. Meu círculo de amizades se multiplicou. Descobri coisas novas e me interessei por muitas delas. Também comecei, discretamente, a aceitar os flertes que recebia. De vez em quando, retribuía os olhares de quem se interessava por mim. Não tinha pressa de nada. Eu só queria viver e ser feliz.

Cada vez que chegava em casa e via meu retrato com Ricardo sabia o que o sorriso dele na foto significava: que estava muito contente por eu ter seguido minha vida para, quem sabe, encontrá-lo mais adiante e ficarmos juntos para sempre.'

||THE END||