Amizade colorida: ter amigos de transa dá certo?

By | quinta-feira, setembro 22, 2011 Leave a Comment
O termo é antigo, mas a tendência é recente. Fuck buddies, amizade colorida e outras definições estão presentes no universo de mulheres que fazem sexo com amigos. Mas, afinal, esse tipo de 'relacionaemento' dá certo?



Buscando comunidades relacionadas ao sexo casual entre amigos no Orkut, chegamos a mais de mil resultados. Por quê? “Porque isso é uma tendência e considero que seja resultado da transição de valores que vivemos. Hoje existe aceitação de comportamentos sexuais diferentes, namoro sem a finalidade do casamento, casamento aberto, não-desejo de ter filhos e assim por diante... Mas esses novos padrões de relacionamento amoroso e constituição familiar ainda não estão solidificados”, explica Ana Cristina Canosa, psicóloga e terapeuta sexual, diretora de publicações da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (SBRASH).
“Tudo isso somado à autonomia feminina conquistada desde a década de 60, que ainda não engloba plenamente a autonomia sexual, resultou nesse comportamento que permite que a mulher desfrute do sexo apenas pelo prazer, com uma ‘culpa’ menor”, completa ela.
Sem culpa e sem afeto
Quem concorda com Ana Cristina é a economista Lara*, 26 anos, que mantém dois amigos neste esquema há mais de três anos. “Não há cobranças entre nós. Um sabe do outro e vice-versa. Somos companheiros de bar e balada e quando pinta a vontade e estamos solteiros, nos deixamos levar pelo momento. No dia seguinte os telefonemas e happy hours continuam os mesmos”, conta. Para a psicóloga, a maioria das mulheres ainda não conseguiu aceitar a autonomia sexual oferecida. Assim como a própria sociedade recrimina a fulana que “dá pra qualquer um”. Fazer isso entre amigos possibilita a experiência do sexo só pelo tesão, de uma maneira mais branda aos seus olhos e os do resto do mundo.
Brincadeira ou jogo?
“Mantive esse esquema com um grande amigo da época da faculdade, mas na primeira vez que senti ciúmes dele, contei o que estava sentindo e não transamos mais”, conta Naiara*, 31 anos. A liberdade com o outro, que você já conhece tão bem, permite que não se tenha vergonha ou ansiedade (com a performance, o próprio corpo ou a tal ligação no dia seguinte) mas também pode trazer consequências emocionais inesperadas.
“Você já tem um certo histórico do sujeito, então pode se defender de armadilhas como o envolvimento com lunáticos em geral. Se for um amigo muito íntimo, você sabe que ele não vai pegar no seu pé e podem deixar estabelecido que têm apenas tesão um pelo outro, porém nem tudo a gente pode controlar. Existe o risco de ser bom demais, de um querer mais do que o outro, pintar ciúmes, surgir paixão... Não dá pra controlar a emoção”, explica Ana.
Além do mais, vale lembrar que quem vê cara, não vê coração – nem a saúde. Portanto, camisinha sempre, mesmo se ele for seu amigo do jardim de infância.
Sexo verbal
Transar com o amigo é garantia de leveza, diversão e espontaneidade. É a saída moderna para a aceitação de novos padrões de comportamento e uma afirmação da autonomia feminina que já ganhou as ruas, o mercado de trabalho e a política, mas não deixa de ser um envolvimento e requer cuidado e, principalmente, diálogo.
“A saída para tudo é falar! Primeiro deixar claro a falta de compromisso e, se algo sair do controle, avisar que a regra mudou. Quando a regra muda, todo mundo no jogo precisa ficar sabendo, senão um participante já perde só por não saber que ela mudou”, orienta a terapeuta.
* Os nomes foram trocados a pedido das entrevistadas.

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